Tabaco: conhecer para compreender

Gilson Becker

Presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco)

A mobilização em Brasília, promovida pela Amprotabaco neste mês de julho, cumpriu um papel decisivo: dar visibilidade à cadeia produtiva do tabaco e reforçar, diante do governo federal e da sociedade, que esta cultura é base de sustentação para mais de 500 municípios brasileiros. Foram dias de intensas agendas políticas e institucionais, com a presença de prefeitos, vereadores, deputados e representantes de entidades de classe, em torno de um objetivo comum: garantir voz ao setor que sustenta milhões de pessoas e movimenta a economia do país, sobretudo no Sul.

A Amprotabaco não defende o consumo de cigarros. Defende, sim, a produção agrícola legal, a economia que dela resulta e a dignidade dos produtores rurais que fazem do tabaco sua principal fonte de renda. São mais de 130 mil famílias envolvidas diretamente com a atividade, que representa oportunidades no campo, empregos nas indústrias, arrecadação nos municípios e desenvolvimento em diferentes níveis da sociedade.

O Brasil precisa conhecer o tabaco para compreender do que estamos falando. A cultura é fruto de um trabalho técnico, regulado e ambientalmente controlado, que tem garantido renda perene e qualidade de vida a milhares de produtores familiares. Não se trata de apologia, mas de realidade: onde há produção de tabaco, há educação de qualidade, acesso à saúde, crescimento econômico e fixação do jovem no campo. É essa a história que levamos a Brasília. Uma história de responsabilidade, esforço coletivo e legítima representação dos interesses de quem vive da agricultura.

A COP-11 que será realizada em novembro é mais uma etapa desse caminho que precisa ser trilhado com transparência, diálogo e coerência. O Brasil não pode adotar uma postura de omissão diante de uma cultura que o próprio país lidera mundialmente em exportações. O que exigimos é respeito à produção legal, equilíbrio nas decisões internacionais e a escuta dos atores que constroem essa cadeia todos os dias.

A Amprotabaco seguirá cumprindo seu papel com firmeza, trabalhando pela unidade dos entes envolvidos e pela valorização do setor. Nosso compromisso é com a verdade, com o desenvolvimento regional e, acima de tudo, com as pessoas que vivem da terra. É por elas que continuaremos lutando, com coragem e presença, para que essa cadeia produtiva seja reconhecida, respeitada e mantida viva para as próximas gerações. Porque onde há tabaco, há dignidade, há trabalho, há futuro.